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Famílias começam a se cadastrar para receber doação da Vale


Na casa de Claudinete Miranda, o marido Wagner Valmir Miranda era quem garantia o sustento da família. O operador de máquinas era um dos funcionários da Mina do Feijão. “Infelizmente, teve amigo que viu: ele tentou fugir, mas não conseguiu. Não teve jeito, ele tinha acabado de sair do restaurante. Foi levado ele, um amigo dele e um conseguiu se salvar”, conta, em meio a lágrimas.

Recém-operada e precisando de se apoiar em muletas para andar, a dona de casa foi à Estação do Conhecimento nesta quinta-feira (31) para fazer o cadastramento em um dos postos montados pela Vale, em Brumadinho, para o recebimento da doação anunciada pela empresa.

Segundo a mineradora, as famílias receberão R$ 100 mil - por vítima. A doação, de acordo com a empresa, é voluntária e independe de doação. A expectativa é que, em três dias, dinheiro seja repassado aos parentes, de acordo com o porta-voz do Comitê de Respostas Rápidas da Vale, Sérgio Leite.

Como o nome do marido começa com a letra W, em princípio não poderia ser atendida, mas por causa da dificuldade de locomoção, foi autorizada. Claudinete, que é mãe de dois filhos, destaca que doação nenhuma será suficiente para amenizar sua dor.

Neste primeiro dia de cadastramento, são registradas famílias de vítimas, cujos nomes começam com as letras A e B. Os postos de atendimento foram montados na Estação do Conhecimento, local que tem servido de ponto de apoio aos parentes em Brumadinho e, também, no Córrego do Feijão.

“Dinheiro não vai trazer meu marido de volta, mas eu preciso do dinheiro para continuar a fazer o que ele fazia para os meus filhos. Não tenho palavras para descrever o homem que ele foi”, diz.
Na espera de notícias sobre o marido, ela diz que tem recebido o apoio de muitos amigos. “A minha casa está cheia 24 horas, mais de dez pessoas. Assim, eu agradeço. Falei que nunca pensei que ia ter minha casa tão cheia e, ao mesmo tempo, vazia, porque ele preenchia todo canto”, desabafa.

Fonte: G1