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Sul de Minas tem três rodovias entre as melhores do país


Apenas três rodovias do Sul de Minas aparecem entre as 109 melhores vias do país na mais recente pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) sobre a qualidade da infraestrutura rodoviária no país. A Fernão Dias, principal rodovia da região, ocupa apenas a 21ª posição do ranking de melhores do país, com classificação "Bom" na pesquisa.

Depois da Fernão Dias, vem a MG-050, que liga cidades do interior de São Paulo, como Ribeirão Preto (SP), a Belo Horizonte, passando pelo Sul de Minas por cidades como São Sebastião do Paraíso, Itaú de Minas e Passos. Na pesquisa da CNT, a MG-050 aparece apenas na 46ª posição entre as melhores do país, também com classificação "Bom".

O terceiro trecho do Sul de Minas citado na pesquisa é a BR-459, no trecho que liga Poços de Caldas (MG) a Lorena (SP), passando por cidades como Caldas, Congonhal, Pouso Alegre, Santa Rita do Sapucaí e Itajubá. O trecho é considerado pela CNT como a 74ª melhor via do país. Para a elaboração do ranking, os técnicos da CNT percorreram 105.814 quilômetros de rodovias em todo o país para avaliar a evolução qualitativa da malha rodoviária.

Rodovias do Sul de Minas que aparecem no ranking nacional

Segundo o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, os resultados de 2017 mostraram que Minas Gerais, o estado com a maior malha rodoviária do país, apresenta deficiências na maior parte dela. De quase todas as rodovias pesquisadas no estado, quase 70% delas foram classificadas como regulares, ruins ou péssimo. A CNT estima que para sanar todos os problemas das rodovias mineiras, seriam necessários R$ 9,2 bilhões só de investimento em construção e restauração.

Segundo o diretor da CNT, o pior trecho do Sul de Minas classificado na pesquisa fica na BR-383, no trecho entre Caxambu e Itutinga, classificado como péssimo na avaliação geral.

“De uma forma geral, as rodovias do Sul de Minas foram classificadas como boas principalmente, algumas delas regulares. O trecho mais crítico que nós conseguimos identificar é o da BR-383. Outros trechos como a BR-369, a MG-179, foram classificados como ruins. Mas a condição geral das rodovias do Sul de Minas apresentam uma característica que tende de regular a bom”, diz o diretor da CNT.

A pesquisa da CNT mostrou que as rodovias sob concessão apresentam melhor qualidade. Tanto que as duas melhores rodovias do Sul de Minas apontadas no estudo, a Fernão Dias e a MG-050, estão sob concessão.

“A própria pesquisa mostra que existem dois mundos distintos: um mundo que é gerido pelo governo público e outro mundo que qualitativamente é bem melhor, que são aqueles geridos pela iniciativa privada, que são as rodovias concedidas", diz o diretor da CNT.
Conforme a CNT, nas rodovias mantidas pelo poder público, os trechos classificados como ótimo e bom totalizam 20,3%. Já na extensão concedida, foram classificados como ótimo e bom 74,4% dos trechos pesquisados.

Uma proposta do governo de Minas pretendia entregar à iniciativa privada trechos de rodovias como a BR-146, BR-459, a MG-290 e a MG-459, que poderiam ganhar praças de pedágio com custo de até R$ 7 a tarifa. Segundo a Secretaria de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais, com a manutenção da BR-459 sob responsabilidade do DNIT, a proposta de concessão de rodovias foi inviabilizada e por enquanto não há nenhum outro estudo em andamento.

Para o diretor da CNT, experiências anteriores mostram que o fato de se pagar pedágio em uma determinada via a princípio gera reclamações de todos os tipos. Mas, com o tempo, acaba ficando mais barato pagar o pedágio do que o custo de se transportar em rodovias ruins.

“Como a rodovia não tem boas condições, isso acaba gerando custos para o transporte. Na avaliação de toda a malha mineira, o custo do transporte rodoviário cresce 32% por conta desses problemas verificados. De uma forma geral, as rodovias que não têm boa qualidade acabam onerando o transporte. Fica mais caro transportar em rodovia ruim"

“A princípio ninguém quer pagar pelo qual já se recolhe imposto. A gente já paga os impostos que geram receitas para o governo e parte dessa receita deveria ser empregada na manutenção, melhoria e ampliação da infraestrutura de transportes. A concessão, quando se faz uma análise em termos mundiais, é um modelo que funciona bem, não só no Brasil, como em outros países também. Você imagina um caminhão que passa em um buraco e o motorista perde uma roda ou um pneu, a gente está falando aí de um prejuízo de R$ 4 mil por exemplo. Então pagar o pedágio sai mais barato", diz Bruno Batista.

"De qualquer forma, isso não exime que se discuta o ponto fundamental, que é outro, do porquê das rodovias não terem bons níveis de qualidade. A princípio, todas as rodovias públicas, não pedagiadas, deveriam ter um padrão de qualidade equiparável às rodovias concedidas. Mas isso, infelizmente na prática, não é a realidade brasileira", completa o diretor da CNT.


Fonte: G1 Notícias